Sem abrigos são toxicodependentes


O problema da droga e também problemas familiares marcam histórias de muitos sem abrigo que vivem na rua. Jovens e toxicodependentes, É cada vez mais este o retrato dos sem abrigo. A maioria está na rua por causa das drogas e muitos dos que tiveram outros motivos acabam por se tornar também dependentes delas. Viveram tantos anos naquela vida que é complicado entrar noutra rotina.  Há alguns anos atrás, o "típico sem abrigo que dormia nas entradas" era vítima da pobreza ou de um infortúnio na vida ao qual não conseguiu dar a volta. Hoje em dia,  tem se vindo a verificar que o número de toxicodependentes está a aumentar, principalmente rapazes novos. Muitos desses toxicodependentes vêm de varias partes do país, por causa de problemas familiares. abandonam as suas cidades, refugiam-se noutras porque assim ninguém os chateia, ninguém anda a procura deles e ninguém os conhece. Acabam por aí num canto. o problema não é a falta de apoios Para além da LBV, há outras que também fazem rondas nocturnas, e casas de reinserção social. No entanto, nota se pouco esforço da parte dos sem abrigo para mudar de vida. secalhar porque eles viveram tantos anos naquela vida que afgora é estranho entrar noutra rotina, ter um emprego, uma casa, responsabilidade. Alguns vão para casas de recuperação, estão lá um mês e, quando estão a ficar melhores, voltam a meter-se na droga, são expulsos e volta tudo ao mesmo. A falta de vontade, de objectivos e de laços familiares como apoio são os principais motivos para a desistência da integração numa vida social activa. Os voluntários, acabam por ser ouvintes, muitas vezes, de histórias às quais não consegue ficar indiferente. "Já ouvi histórias em que pude intervir e ajudá-los", conta o chefe de equipa da LBV. "Foi o caso de um casal que estava a viver à porta do tribunal. Eram de Évora, vieram para o Porto à procura de emprego e foi-lhes fechada a porta. Ela estava grávida, e, quando eu soube da situação, tratei de saber se tinham ajuda lá. No dia seguinte, comprei-lhes os bilhetes de autocarro e mandei-os para casa", recorda. É inevitável não misturarem sistematicamente os problemas dos mendigos com a vida pessoal, o que pode ser saudável, mas também difícil. Relação evita perigo para voluntários. Uma das principais dificuldades de quem dorme na rua é a solidão que enfrentam diariamente. Por isso, os voluntários da instituição representam uma relação de confiança, às vezes única, para os sem-abrigo. A relação que estes voluntários criam com os sem-abrigo é mais do que de entreajuda.  A confiança que já têm traz também segurança aos voluntários e faz com que algumas palavras mais bruscas se fiquem por aí. "Eu já tive alguns incidentes durante as rondas, mas nada passou de verbal. Tentamos sempre pôr-nos no lugar deles, damos o desconto." A LBV faz as rondas de apoio aos sem-abrigo sextas e sábados à noite, a partir das 21h00, sem hora para terminar
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Por Eduarda Pires - ljcc05038@icicom.up.pt